Medici Assessoria

Fabio Medici • 25 de outubro de 2021

Fatores que podem causar cãibras no esporte

A cãibra muscular é uma contração involuntária temporária, mas intensa e dolorosa do músculo esquelético, que pode ocorrer em diferentes situações.

Estudos realizados por Maquirriain e colaboradores (2007) e Bordoni e Varacallo (2018) demonstraram que existem diferentes causas potenciais que podem levar ao desenvolvimento de cãibras musculares, a maioria das quais não está associada ao exercício físico em si, mas a uma variedade de condições clínicas ou ao uso de medicamentos para o tratamento dessas condições e que podem ser confundidas como causadas pela prática de atividade física esportiva.

Cãibras que ocorrem durante ou logo após uma sessão de atividade física são denominadas cãibras musculares associadas ao exercício, são poucos os atletas que escapam da dolorosa experiência de cãibras musculares em algum estágio de sua carreira esportiva.
São dois os motivos que levam ao desenvolvimento de cãibras musculares na prática de atividade física:

1.   Desidratação e depleção de eletrólitos

Evidências de que o desequilíbrio de eletrólitos e a desidratação através do suor estão associados a incidência de cãibras musculares vem através de estudos realizados com trabalhadores da construção civil e de siderúrgicas nas décadas de 1920 e 1930, em que após a utilização de bebidas salinas e comprimidos de sal foi possível reduzir consideravelmente a incidência de cãibras musculares nos trabalhadores.


Estes estudos se tornaram importantes porque ambos demostraram que a realização de trabalho físico extenuante em ambientes quentes levam a cãibras devido em decorrência da: desidratação; concentração reduzida de sódio e cloreto no plasma sanguíneo; pouco ou nenhum sódio ou cloreto na urina; aumento da concentração de proteína sérica, dentre outros fatores


O desequilíbrio de eletrólitos é caracterizado por uma alteração clinica denominada de hiponatremia (baixa concentração de sódio no sangue), Christopher e colaboradores (2005) avaliaram a incidência de hiponatremia em maratonistas que participaram da maratona de Boston, EUA, mostrando que a hiponatremia ocorre em uma grande parcela dos corredores de maratona podendo ter efeitos graves.



Isso porque o sódio em quantidades adequadas exerce importante papel de controle fisiológico: controle de pressão arterial; controle de contração cardíaca e do músculo estriado esquelético; resposta elétrica adequada de neurônios e motoneurônios.

A hiponatremia como foi demostrada pelos autores pode ocorrer, também, pelo excesso de consumo de água sem a devida reposição de eletrólitos.

2. Fadiga muscular

Um dos primeiros estudos que mostrou que a fadiga muscular pode levar a cãibras em indivíduos saudáveis ​​durante o exercício foi desenvolvido por Norris e colaboradores em 1957. Através de análise de eletromiografia os autores concluíram que a cãibra muscular pode se desenvolver por excesso de atividade elétrica sobre o musculo esquelético.


Em 1997 Schwellnus e colaboradores demonstraram que a fadiga muscular pode ser a predecessora do desenvolvimento de cãibras musculares associadas ao exercício.


Em 2007 ao analisar maratonistas Schwellnus mostrou que as cãibras musculares associadas a “fadiga muscular” estão associadas a alta intensidade, longa duração e terreno acidentado. Assim como foi demonstrado por Cooper e colaboradores (2006) com jogadores de futebol americano que apresentavam cãibras nas 3 primeiras semanas de aclimatação em climas mais quentes na temporada competitiva.



Outros fatores que podem levar a cãibras musculares



Além dos fatores acima, Manjra e colaboradores (1996) ao analisar a incidência de cãibras entre maratonistas demostraram que maior índice de massa corporal (IMC) e falta de flexibilidade são fatores que levam a maior incidência de cãibras durante a prática esportiva.

 

Desta forma, para que se possa evitar a incidência de cãibras associada ao esporte é importante ficar atento não somente a rotina de treinamento, mas também, a boa hidratação e alimentação. Reposição de sais minerais, controle do IMC pelo tecido adiposo, progressão das cargas de treinamento e aclimatação ao calor, para atletas que competem nestas condições, são fatores fundamentais.

 

 

Referências

 

Maquirriain J, Merello M. The athlete with muscular cramps: clinical approach. J Am Acad Orthop Surg. 2007;15(7):425–431.

 

Bordoni B, Varacallo M. Muscle cramps; 2018. 

 <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499895/.>

 

Moss KN. Some effects of high air temperatures and muscular exertion upon colliers. Proc R Soc Lond Ser B Biol Sci. 1923;95:181–200.

 

Dill DB, Bock AV, Edwards HT, Kennedy PH. Industrial fatigue. J Ind Hyg Toxicol. 1936;18:417–431.

 

Christopher SDA, et al. Hyponatremia among runners in the Boston Marathon. N Engl J Med 2005 Apr 14;352(15):1550-6.

Norris FH, Gasteiger EL, Chatfield PO. An electromyographic study of induced and spontaneous muscle cramps. EEG Clin Neurophysiol. 1957;9:139–47

 

Schwellnus MP, Derman EW, Noakes TD. Aetiology of skeletal muscle ‘cramps’ during exercise: a novel hypothesis. J Sports Sci. 1997;15:277–85

 

Schwellnus MP. Muscle cramping in the marathon: aetiology and risk factors. Sports Med. 2007; 37:364–367

 

Cooper E, Ferrara M, Broglio S. Exertional heat illness and environmental conditions during a single football season in the Southeast. J Athl Train. 2006;41:332–336.

 

Manjra S, Schwellnus MP, Noakes TD. Risk factors for exercise associated muscle cramping (EAMC) in marathoners. Med Sci Sports Exerc. 1996;28(5 Suppl):S167.


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